Destrua!
Mas não deixa de reconstruir,
não deixe reconstruir.
Mexa-se!
Movimenta lentamente,
sem levantar suspeitas,
age, reage, ache.
Escreva!
Com borracha, que apaga,
que aponta e desaponta,
numa pontuação sem ponto.
Cante!
Feliz serás, alegrar irá,
compositor que és, fácil virá
revirará, vomitará as canções não ditas,
comprometidas, regurgitadas, descarregadas numa descarga!
Venda!
Substituição temporária,
numa virada, esquentada, arrastão do calçado,
vislumbrado na córnea transplantada, ataque-de-miocárdio.
Divirta-se!
Sorria, a palhaça voltou, o palácio depositou, sorrisos num impostor?
Letras espalhadas nos dentes, língua amolada, beijo ácido na bochecha rosada.
Toque tamborilando, incessante, pensante,
num copo milímetro, corpo ex-tendido, livro folheado,
pergunta não respondida, voz mal sentida, aí sim “camaradagi”!
Vontadie-se, agora alto, bem alto, invenção não meditada,
pré-meditada, futuro insosso, osso…osso, translúcido, vivo, branco,
examinado num fundo brilhoso, AHHHH curioso!
Descontou-se, desencontrou-se, desconcentrou-me…
Cinthia Lucas.